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Como o intraempreendedorismo pode ser chave para construção de espaços diversos e inclusivos?

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30 de novembro de 2021 - 14h00

Uma frase do filósofo Heráclito me acompanha e acredito ser bastante própria para esta reflexão: “nada é permanente exceto a mudança”. O pensador, que viveu 500 A.C., já havia desvendado esse segredo tão pertinente ao mundo volátil que vivemos: quer você queira ou não, tudo muda. Pessoalmente não gosto de generalizações, mas essa é inevitável, já que de fato a única certeza que temos é que (citando a fala de um filme que amo) “o mundo como conhecemos está prestes a mudar”.

Como então as grandes organizações conseguem se perpetuar ao longo de décadas? Como conseguem se atualizar às metamorfoses da sociedade? Como conseguem manter sua relevância para diferentes gerações? Todas as chaves eu não sei, mas acredito fielmente estar conectado à duas capacidades: de transformação e de ter pessoas no centro.

Em minha vivência na Unilever, por exemplo, tenho visto marcas se transformando em uma velocidade exponencial para corresponder a esses avanços. Em uma de nossas maiores marcas vi um projeto nascer do zero a partir do incômodo levantado por três estagiárias pretas à diretora da categoria. Nesse sentido, uma movimentação poderosa para transformar é a inclusão de programas de intraempreendedorismo que permitem aos seus colaboradores empreender e inovar dentro de seus times.

Um fato curioso é que ninguém havia perguntado a opinião dessas jovens, mas é exatamente este ambiente de transformação que deve ser nutrido diariamente, que proporciona um espaço seguro para questionar.

A boa notícia é que nós, como integrantes dessas organizações, podemos usar das ferramentas existentes para aceleração de uma mudança organizacional. Em diversos projetos que pude liderar e integrar, Afrolever, Afrocamp, Digifund, obviamente enfrentamos barreiras, porque nadar contra a maré não tem sido uma missão simples. Porém, foi uma jornada de muitos ensinamentos, com amizades feitas ao longo do caminho e a alegria de ser uma fagulha da renovação.

(Crédito: Smartboy10/ iStock)

Compartilho alguns aprendizados que tive até aqui, e como tenho usado da jornada intraempreendedora em prol dessa transformação:

1) SE APAIXONE PELO PROBLEMA: aprendi que é muito comum querermos começar pela solução, mas que a chave está em esmiuçar o desafio, entender profundamente quais são as barreiras, o que o sustenta, o que já tentaram antes de você e principalmente, quem são as pessoas chaves que o envolvem (você vai precisar delas). Abra mão dos seus julgamentos e opiniões e genuinamente busque entender a realidade;

2) ENCARE A REALIDADE COM OTIMISMO E SEJA FLEXÍVEL: citando um dito popular que aprendi com mamãe: “quem sabe a quentura da panela é a colher que mexe”, e ninguém melhor do que você sabe a realidade da empresa onde você trabalha, mas não olhe para a realidade como a linha de chegada, mas sim como a de partida. Nem toda batalha será uma vitória, mas haverá sempre o que aprender.

3) ACHE SEU GUETO, VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO: certamente, outras pessoas ao seu redor estão no mesmo barco e, assim como você, querem se comprometer nessa jornada. Ache esses parceiros e os convide para embarcarem nessa aventura: ninguém constrói nada sozinho.

4) TENHA APOIADORES: mentoria é essencial em qualquer projeto empreendedor, e nesse caso mais ainda. Nem sempre você vai encontrar na sua jornada apoiadores e defensores dos seus ideais, mas garanta que quando você encontrar, que estes serão seus aliados em desafiar o status quo.

5) NUNCA PERCA A ESSSÊNCIA: é comum chegarmos ao final de um projeto com uma solução incrível, mas que pouco se relaciona com a dor inicial que você estava buscando endereçar. Ou ainda, do cansaço para chegar até o final ser tão grande que esmorecemos. Portanto, termino como comecei: generalizando. NUNCA perca de vista o horizonte, NUNCA esqueça o porquê de você estar dando essas horas a mais, NUNCA esqueça que a real transformação depende de pessoas dispostas a pagarem o preço da mudança. Seja a mudança!

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