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Tudo o que vai, volta!

Uma retrospectiva não óbvia de um mundo em transformação. Ufa!

15 de dezembro de 2021 - 14h26

Este facilmente poderia ser o título de um artigo qualquer de final de ano, já que é nesse momento que costumamos fazer um inventário de como foram os 11 meses passados, o que queremos manter, aquilo que vale a pena mudar… Mas não é, e hoje, o “efeito bumerangue” vem para falar sobre a circularidade do plástico – o grande vilão dos nossos rios, mares e da vida aquática. Mas, na indústria, esse vilão se transforma em herói. E eu posso provar.

 

(Crédito: Rafa Press/Shutterstock)

Aconteceu há pouco a COP26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e tivemos o prazer de mostrar ao mundo como a Unilever Brasil evitou a destinação de cerca de 13 mil toneladas de plástico para aterros ao transformá-las em novas embalagens. Vale a reflexão, né?!

Há mais de dois séculos, o químico francês Lavoisier disse uma frase que ancora a minha afirmação de que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Se tudo o que vai, volta, com o material plástico trabalhado nas indústrias mundiais não é diferente. Felizmente, a pauta está cada vez mais recorrente entre as empresas e a sociedade civil, rumo a um mundo mais sustentável. Estamos saindo da economia do consumo desenfreado para a economia do compartilhamento e da produção mais consciente.

Acompanho de perto este assunto há quase 30 anos e, por sorte, destino ou uma conexão de propósitos, boa parte deles em uma empresa de vanguarda, que começou há mais de 100 anos com a intenção de melhorar a vida das pessoas. E aí fica uma pergunta: como uma marca, por meio do design de embalagens, pode se tornar mais sustentável? É possível? É sim e o design de embalagens é um elemento essencial à economia circular.

Embalagens de shampoos, condicionadores e cremes de cabelo, por exemplo, há bem pouco tempo eram produzidas com plástico virgem. Hoje, os fracos dos produtos TRESemmé são produzidos com 100% de inclusão de resina reciclada. Ou seja, 0% de resina virgem. A embalagem vai para as gôndolas dos supermercados, volta como material reciclado e vira uma nova embalagem. Simples assim!

Isso também acontece com produtos de limpeza e hoje já se usa o plástico reciclado até mesmo em embalagens de alimentos. Mãe Terra, já consolidada de alimentos naturais e orgânicos, que o diga. A marca criou uma embalagem 100% em polietileno para uma de suas linhas de produtos, sem laminação e com características sustentáveis e levando a questão da circularidade como prioridade. Foi a primeira vez que o setor alimentício trabalhou com a reciclagem de forma tão proprietária.

Um estudo do The New Plastics Economy, criado pela Fundação Ellen MacArthur, Fórum Econômico Mundial e McKinsey & Company aponta que, sem inovar no design de embalagens plásticas, cerca de 30% desse material jamais será reutilizado ou reciclado.

Já a pesquisa “Who Cares, Who Does”, da Kantar, feita em 2020, mostra que 67% dos consumidores têm intenção de comprar de modo ambientalmente responsável. O público está mais exigente tanto com a qualidade dos produtos e serviços, quanto com a procedência deles. Tanto é verdade que as marcas com propósito da Unilever crescem 75% mais rápido que o restante do negócio.

Inovar nas embalagens de produtos de limpeza e cosméticos pode gerar uma economia de 80% a 90% de material plástico, ainda de acordo com o estudo New Plastic Economy. Mas a economia circular só é importante para o plástico e a vida marinha? Não, pois se ganha em:

1- Menos gás carbônico na atmosfera: com o uso da resina reciclável, a emissão de CO2 é infinitamente menor. Para você ter uma ideia, a Unilever Brasil deixou de emitir mais de 17 mil toneladas do gás para o meio ambiente de 2018 para cá. O planeta agradece.

2- Em nosso país, boa parte da população ganha a vida a partir da reciclagem. Garantir que o material reciclado tenha a devida finalidade também colabora para um mundo mais justo e livre de desigualdades.

3- Atribuir a possibilidade de reciclagem às embalagens é uma demanda do consumidor. Como vimos, ele anseia por isso e, consequentemente, as marcas que queiram uma perspectiva de mercado mais longínqua precisam estar atentas à essa necessidade.

O mundo mudou e vem mudando todos os dias. Ele não é mais linear e temos de acompanhar as mudanças na velocidade que o mercado exige. Se dá para dizer que temos alguma certeza sobre o novo mundo – que é frágil, ansioso, não linear e incompreensível – é de que essas mudanças estão vindo para ficar, e que não têm volta. Ao contrário do plástico. Ufa!

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