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Creators estão virando marcas. Quando as marcas vão virar creators?

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Opinião

Creators estão virando marcas. Quando as marcas vão virar creators?

Num ano onde muito se fala sobre creator economy, as marcas têm muito a aprender com os criadores

25 de março de 2022 - 14h00

Crédito: Divulgação

O ano era 2012, eu tinha acabado de realizar o sonho adolescente de ganhar um computador e, com isso, criava o meu primeiro blog onde produzia conteúdo sobre uma artista no qual era muito fã. Certo dia, com o blog alcançando meio milhão de seguidores nas redes sociais, comecei a receber produtos de marcas licenciadas para promover. Naquela época, eu começava a criar conteúdo enquanto todos os meus primos queriam ser jogadores de futebol, mas ainda não imaginava que aquilo poderia ser uma profissão.

10 anos se passaram e os desejos de consumo do meu irmão caçula, com 10 anos de idade, são um ring light, microfones que se conectem com o video game para transmissões ao vivo e uma missão: ser um criador de conteúdo reconhecido. A profissão dos sonhos.

Neste mesmo ano, grandes influenciadores como Bianca Andrade, Gkay, Jade Picon abriram suas próprias marcas. Os creators começaram a perceber que se conseguem emprestar a autoridade que possuem, nos nichos que dominam, também conseguem usar essa força para criar seus próprios negócios. Na prática, é a tal da creator economy, que tá todo mundo comentando.

O que essas três histórias tem em comum? A primeira fala um pouco do caminho onde já estivemos e as próximas, de onde estamos e para onde estamos indo: Creators estão se tornando marcas e as marcas que quiserem continuar relevantes também precisam fazer o inverso e se tornar creators.

Uma indústria de BILHÕES!

Segundo a Nielsen, só no Brasil já são 500 mil influenciadores em potencial, considerando criadores com mais de 10 mil seguidores.

Além disso, quando falamos sobre a economia creator global, essa geração de microempreendedores está atualmente avaliada em US$ 20 bilhões, com estimativas de crescimento para US$ 104,2 bilhões neste ano, sendo US$ 800 milhões aplicados em em empreendimentos, segundo a Forbes.

E o que as marcas podem aprender com os criadores?

Construção de comunidades engajadas

Uma coisa é certa: os criadores sabem como construir comunidades engajadas como nenhuma marca ainda consegue. Bons criadores sabem para quem estão falando e o que devem falar. Foi a partir daí, que eles conseguiram criar conexões genuínas para, então, partir para a criação de modelos de negócio rentáveis.

Marcas precisam aprender a enxergar melhor as dores dos consumidores, buscar formas orgânicas e genuínas de se inserirem na cultura, identificando momentos chave para que possam captar a atenção da audiência, engajar e gerar conversas relevantes. Qual o nicho que essa marca busca estar inserida? Quais assuntos estão em alta? Qual tipo de conteúdo essa audiência gosta de consumir? Na disputa por atenção, os criadores também viram concorrentes.

Branding

Creators também vem se tornando referência na criação de marcas que se conectam com essa nova geração. Uma coisa existe em comum entre todas elas: Um propósito evidente para criar conexão com a audiência. Criadores sabem contar histórias e construir narrativas como ninguém. Quais mensagens a marca quer comunicar? Como contar essa história? Qual a personalidade da marca? São pontos chave que os criadores tiram de letra.

Único ponto de vista sobre o produto

As DNVBs, (digital native vertical brands) ou marcas nativas digitalmente, como as que são geradas pelos criadores, possuem uma grande vantagem: elas oferecem produtos com um ponto de vista único e focado em resolver um problema na vida do consumidores, com insights que são gerados a partir da criação de conteúdo e do engajamento vindo da audiência. É mais uma vez o criador colocando a audiência no centro e usando esses dados de forma inteligente.

O fato é que, com o mercado crescendo, mais criadores, mais conteúdos e mais difícil será de conquistar a atenção da audiência. Marcas precisam abraçar essa oportunidade se transformando em creators, como uma estratégia para ganhar relevância.

No fim das contas, é sobre interromper menos e entreter mais. Na sua opinião, nos próximos anos o mercado publicitário está pronto para essa mudança ou vamos continuar vendo marcas que insistem em produzir filmes caros e posts de datas comemorativas que não mais conversam com a audiência?

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