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O futuro do trabalho como aliado na agenda de acessibilidade e inclusão

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20 de abril de 2022 - 6h00

Crédito: SeventyFour/Shutterstock

Enfrentar a lotação do transporte público, horas no trânsito, fazer uma refeição na estação de metrô, usar o tempo de trajeto do trabalho para a universidade para estudar, cochilar na volta para casa: essas são situações comuns para uma grande parcela da juventude brasileira. Assim que meus colegas universitários começaram a estagiar, os relatos da rotina exaustiva entre casa, trabalho e faculdade passaram a fazer parte das nossas conversas.
Agora, adicione à lista a falta de acessibilidade – nos transportes, nos prédios, nas vias públicas e mais –, e a necessidade de ficar mais de 12 horas sentada em uma mesma posição. Para uma jovem cadeirante que vive em um bairro periférico, a dinâmica do mundo presencial nunca se aplicou à minha vida, e esse fato moldou minhas escolhas por um longo período.

Na graduação, antes do movimento impulsionado pela pandemia, eu tinha decidido que o mercado de trabalho não era exatamente para mim. As vagas totalmente presenciais e sem flexibilidade de horário, impactariam em altos gastos com transporte pessoal, rotina familiar e até mesmo na minha saúde. A vida acadêmica se mostrava como a opção mais viável.

Mas a pandemia aconteceu e mudou a rotina, acelerando a maneira como entendemos o trabalho – como aponta o primeiro relatório da consultoria empresarial estadunidense McKinsey & Company, em 2021, sobre o futuro do trabalho pós-COVID-19. O trabalho remoto tornou-se uma realidade e fez com que as empresas entendessem que preservar a saúde e o bem-estar dos colaboradores era uma necessidade. Acompanhar esse movimento foi surpreendente, pois, com a repercussão nas redes sociais e em pesquisas do mercado, entendi que não haveria mais volta; ainda que a pandemia terminasse, o elemento do “home office” já era um atributo que diferenciava e atraía talentos para empresas em que a cultura organizacional abraçasse o tema.

Isso abriu um universo de possibilidades: iniciar minha trajetória no mercado de trabalho, tendo uma oportunidade concreta de aproveitar toda a jornada, como na Unilever, a empresa em que eu estou hoje. Por vezes, a pessoa começa sua história em determinado lugar e não encontra formas de permanecer ali. O sentimento de frustração e não pertencimento são inevitáveis e, desta forma, a exclusão e a não acessibilidade se tornam mais fortes e evidentes. Por isso, não falamos apenas sobre acesso, mas sim, sobre a possibilidade da permanência.

Quantos talentos são perdidos por não terem a possibilidade de estar nos espaços que desejam? Quantas pessoas apresentam um grande potencial e não encontram as ferramentas necessárias para fomentar o seu desenvolvimento? Quantas pessoas mudam o seu plano de carreira, seus objetivos, para se adequar a uma realidade imposta que, muitas vezes, não faz sentido?

É devido a esses fatos que o futuro do trabalho é necessário e disruptivo, porque apresenta reflexões e soluções que não são óbvias. Não existe uma fórmula mágica para pensar sobre acessibilidade e inclusão, essas agendas são de construção coletiva, de aprendizado e prática. Estamos realmente em uma jornada. Quando pensamos sobre diferentes formas de trabalho, abrangemos uma pluralidade de perfis e de histórias, com diferentes caminhos nos quais cada pessoa encontrará a maneira ideal de extrair o melhor de si.
O futuro do trabalho pensado a partir da flexibilidade, da colaboração e da transparência deve ser o nosso presente para alcançarmos espaços cada vez mais diversos, conectando todas as pessoas e um mundo de oportunidades.

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