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Não vire estatística: mortalidade de startups

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24 de junho de 2022 - 9h33

A mortalidade de startups nos seus primeiros anos de vida é extremamente alta. Dados mostram que somente metade das startups sobrevive aos primeiros quatro anos. Graficamente, é uma curva “J” e a chamamos, dramaticamente, de “vale da morte”. Os motivos são diversos, mas apesar da falta de capital ser a principal razão deste declínio, a morte, na verdade, acontece em decorrência de outras questões. Depois de inúmeros post mortem (estudos dos casos que não deram certo), fica claro que o principal motivo da morte de startups está, intimamente, relacionado à desarmonia do time fundador. Não acho esta conclusão surpreendente, afinal, as startups devem o seu sucesso às pessoas que trabalham nela e falham vertiginosamente quando o time não está bem.

Para não virar estatística, seguem dicas práticas de relacionamento e foco para quem está considerando montar uma startup:

Faça a diferença!

Você precisa acreditar que o problema que está tentando resolver fará a diferença na vida das pessoas. O seu olhar não deve ser apenas para verificar se o problema é real e se existe uma forma eficiente de solucioná-lo. Deve também atentar para o tamanho da conexão que você tem com ele, ou seja, analise se trabalhar para a solução do problema vai te fazer feliz ao longo prazo. Saiba que você precisa estar preparado para enfrentar as dificuldades no caminho, apaixonando-se pela solução do problema em si, e não pela solução desenvolvida. O time precisa ter um incentivo para resolver essa dor e, dentro da minha experiência, este incentivo envolve aspectos de conexão, muito mais do que meramente financeiros. Enfim, a motivação do time é essencial para a sobrevivência de uma startup. Se o time se desiludir e passar a não acreditar mais na importância do problema, a empresa morre de inanição.

Admire os seus consumidores!

O time precisa ter alguma conexão real com os consumidores que irão ajudar na criação da solução de um problema, especialmente porque precisam entender seus desejos, suas necessidades. O time fundador de uma startup precisa estar muito próximo do seu consumidor final. Já imaginou estar perto de quem você não gosta, não admira? Uma das perguntas comuns de investidores para os times fundadores é: de onde virão seus primeiros consumidores? Pois é essencial que o time entenda e conheça estes primeiros consumidores muito bem. Claro que não se espera que o time consiga indicar quem serão os consumidores nos outros passos do processo de escala, mas os cem primeiros usuários precisam estar bem mapeados. Vale sempre lembrar uma máxima importante: o melhor dinheiro para entrar em uma startup não é o dos investidores, mas sim o dos clientes.

Sinta-se em casa!

Time fundador que não tem a liberdade para conversar de forma transparente, fica estagnado. Os fundadores precisam sentir-se à vontade para falar sobre seus papéis na startup, expectativas, receios, performance, resultados, etc, de uma forma construtiva. O caminho inicial de uma startup requer tomadas de decisão o tempo todo, além de um alto nível de confiança e sintonia entre os co-fundadores. Conversas organizadas, nas quais o time pode dividir como se sente, são extremamente valiosas. Times fundadores que não se conhecem muito bem precisam criar essa conexão, além de um ambiente seguro para acelerar esse tipo de movimento. Acho importante tratar deste assunto no início da relação, enquanto ela ainda está saudável, por isso, essa é a hora, sim, de ter um contrato descrevendo os comprometimentos entre os sócios – não deixe para depois.

Diga não à perfeição!

A exigência da perfeição de um produto é fatal. O time que nunca acha que o produto está terminado e não tem coragem de lançá-lo, vai sofrer enormemente na busca de capital e energia para ter o produto perfeito, e que pode sequer ser aceito pelos consumidores e mercado. O produto precisa ser lançado até para evoluir naturalmente. Claro que os produtos que serão lançados em mercados regulados, precisam de um olhar extremamente cuidadoso. E não estou falando que se deva lançar um produto precário, mas é importante contar com a evolução orgânica, ajustes que podem levar a startup, inclusive, a decidir mudar de modelo de negócios. Mais importante do que ter um produto perfeito é aproveitar o timing, ou seja, entrar no mercado no momento certo, quando ainda não existem concorrentes! Aqui, vale priorizar as funções mais importantes do produto e não investir demais no desenvolvimento. Afinal, precisa sobrar capital e energia se for necessário mudar o rumo do produto – o que acontece com enorme frequência. Não dá para se apaixonar pelo produto. Outra vez: apaixone-se pela solução do problema! Execução vale mais do que uma ideia.

Seja diverso!

Times uníssonos, sem diversidade cultural ou de formação (que é o caso da maior parte das startups brasileiras) raramente consegue trazer a profundidade às análises que precisam ser realizadas para um modelo de negócios e lançamento de produtos. É preciso ter diferentes ângulos, inteligências e experiências olhando para o mesmo problema, ou seja, times multidisciplinares, além de incrementar a diversidade de conhecimento, gênero, vulnerabilidade, etc. Isso é fundamental para o sucesso de uma cultura de um produto. Olhe para competências complementares, ou seja, ninguém precisa ser, individualmente, completo – o importante é ter acesso a um time completo e, claro, entender muito bem do que você está falando.

Não se esqueça da bússola e do valor da comunidade!

A gente já conversou sobre a importância do uso de dados para a tomada de decisões aqui neste link, não esqueça que a escolha de KPIs e a sua análise direciona o caminho da evolução estratégica de uma startup (e de qualquer empresa).

Por último, saiba que você pode contar com o ecossistema. Participe de comunidades, busque ajuda em grupos de startups, entidades de fomento. Participar de uma comunidade ajuda muito, não se isole.

Claro que a gente sempre pode elencar algumas startups que, apesar de todos os problemas com times fundadores, ainda assim, tiveram muito sucesso, mas…como já diz o ditado, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, não é?

Estou torcendo pelo seu sucesso…a gente se encontra pelo caminho!

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