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Inovação em momentos desafiadores: é possível?

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29 de junho de 2022 - 11h28

Metade de 2022 já passou e a situação sócio econômica do Brasil ainda é bem complexa: a inflação e o índice de desemprego super altos são só a ponta do iceberg. O cenário global também está enfrentando um momento difícil por conta dos impactos pós-guerra.

Diante disso, o mercado de venture capital foi afetado e as fusões, aquisições e investimentos globais estão em baixa. Em comparação ao ano passado, os investimentos em startups brasileiras foram menos da metade e, as de tecnologia, ainda tiveram correções de valuation nos últimos meses.

Em 2021, foram mais de R$ 46 bilhões investidos e milhares de contratações para alcançar o crescimento prometido. Agora, a prioridade é a rentabilidade, revisão de modelo de negócio e corte de custo. Resultado? Demissões. A pauta tem sido constante em diversos veículos e redes sociais, mais de 10 startups e empresas demitiram aproximadamente mais de 1000 funcionários nos últimos meses.

E neste cenário, acredito que deve prevalecer a importância dos líderes enxergarem formas de como manter a criatividade e inovação e, ao mesmo tempo, seguir obcecado com a cultura dos times. Pode parecer impossível pensar nisso em meio a todos esses desafios, mas fica o convite para que não nos esqueçamos do básico, sem precisar inventar a roda e criar algo extraordinário.

Além disso, justamente são nesses momentos que não precisamos e não devemos simplesmente matar a inovação, pelo contrário. É nessa hora que talvez estimular alguns comportamentos que não estão ligados diretamente a um custo, podem ser importantes para enfrentar o momento:

1) Ser um eterno aprendiz: pode até ser bem clichê mas, em uma situação difícil, o quanto o líder estimula o aprendizado do seu time? O que de fato pratica e contribui no dia a dia? Hoje em dia existem uma série de conteúdos diversos, muitos gratuitos, desde de assuntos mais técnicos até mesmo sobre saúde mental, algo fundamental para este cenário.

2) Enxergar oportunidades: essas adversidades nos deixam bastante desconfortáveis, mas também são oportunidades de inovação. Grande parte das inovações nascem diante de obstáculos e de necessidades. Abrir a mente e pensar no aspecto da sobrevivência do negócio em si trazendo mais pessoas para esse mood, precisa ser diário e constante.

3) Testar e falhar: os testes são essenciais para coletar aprendizados e aprimorar o que for necessário. Por isso, é preciso experimentar, falhar e repetir, mesmo nos pequenos objetivos do dia a dia. Às vezes, em equipes que ficaram mais enxutas da noite para o dia, estimular esse processo em grandes projetos pode parecer loucura, mas nos pequenos ainda pode ser bem possível coletar alguns resultados e permitir a sobrevivência deste mindset.

4) Escuta ativa: pode parecer bem simples e, justamente por isso, é uma das soft skills mais subestimadas. Porém em situações complexas, mais do que nunca precisamos saber ouvir e prestar muita atenção aos pequenos sinais. A tal criação da psychological safety, o ambiente seguro, é vital nessa sobrevivência e talvez ponto número 1. Não permita que a falta de transparência deixe um ambiente ainda mais complexo e difícil.

5) Times interdisciplinares: estimular o time a ter contato com diversas perspectivas diferentes contribui muito para o crescimento de cada um. Dentro de um time interdisciplinar, é importante saber extrair ao máximo das experiências de profissionais de diferentes bagagens. Assim, para além do resultado, garante uma troca efetiva entre hard e soft skills.

Seguir em frente diante de tantas notícias parece ser complicado demais. Se não estamos propriamente vivenciando diretamente uma crise, quando buscamos ao menos ser empáticos, de certa forma nos puxa para a reflexão. Por isso, acredito que buscar alguns comportamentos, ainda que básicos e conectados com a inovação, podem ser boas práticas para passarmos por mais esse furacão.

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