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Quais são as tendências em coinovação?

Fernando Freitas, superintendente executivo do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, aborda a transformação digital no setor financeiro e os próximos passos do inovabra habitat

Victória Navarro
8 de dezembro de 2020 - 8h00

 

Fernando Freitas, superintendente executivo do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco (crédito: divulgação)

Recentemente, o Bradesco anunciou a ampliação de seu espaço de coinovação e geração de negócios de alto impacto, o inovabra habitat, para o modelo digital, permitindo com que startups e empresas de qualquer lugar do Brasil sejam membros e participem de atividades do ecossistema. Por meio da expansão da iniciativa, criada em 2018 a fim de viabilizar a estratégia de inovação aberta de diversas companhia, estima-se que o inovabra habitat conte, no futuro, com mais de 200 startups brasileiras com alto nível de maturidade e 150 novas grandes empresas clientes da instituição financeira. “A humanidade e os negócios, sempre, deram saltos de crescimento ou se reinventaram, por meio da inovação após crises. O cenário exige que grandes corporações identifiquem novas oportunidades de negócios e redirecionem negócios existentes. A inovação e, especialmente, a inovação aberta e colaborativa ganharam novo senso de urgência”, diz Fernando Freitas, superintendente executivo do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, com exclusividade ao ProXXIma. O profissional fala sobre as tendências em coinovação e novos negócios com startups, bem como a transformação digital no setor financeiro e os próximos passos do inovabra habitat.

Coinovação e novos negócios com startups
A humanidade e os negócios, sempre, deram saltos de crescimento ou se reinventaram, por meio da inovação após crises. O cenário exige que grandes corporações identifiquem novas oportunidades de negócios e redirecionem negócios existentes. A inovação e, especialmente, a inovação aberta e colaborativa ganharam novo senso de urgência. Os desafios de coinovação do momento são dos mais diversos, dependendo muito do setor da indústria. Mas, existe uma convergência para procura por plataformas digitais de vendas, educação corporativa remota, maior eficiência em comunicação com colaboradores, novas formas de atendimento digital e monitoramento de saúde dos funcionários e dos locais de trabalho. O trabalho remoto e o distanciamento social trouxeram oportunidades para diversas startups. Outra tendência é a busca por proteção de dados que, por conta da LGPD, tem tido uma demanda alta. Terapia remota também está em alta. E, sem dúvida, a telemedicina sofreu um boom durante a pandemia.

O cenário exige que grandes corporações identifiquem novas oportunidades de negócios e redirecionem negócios existentes

Transformação digital no setor financeiro
O setor financeiro está buscando a capacidade de adaptar-se ao ritmo acelerado da mudança e a grande complexidade dos negócios. E, a capacidade de traduzir dados em ações rápidas é decisiva rumo à transformação digital. Torna-se necessário buscar eficiência no uso de dados financeiros e de desempenho, além de buscar tecnologias adequadas que possibilitem conformidade, visão completa, análises preditivas e reação às mudanças do mercado. Digitalizar o setor de finanças é transformar todo e qualquer tipo de informação em formatos digitais, para que essas informações possam ser colhidas, organizadas e analisadas, tudo de forma mais simples, segura e rápida. Nesse contexto, para a transformação digital do setor financeiro e de seus profissionais é necessária, para que as empresas possam crescer, manter sua rentabilidade e buscar novas oportunidades de receita na nova economia, sempre com foco em atender cada vez melhor às necessidades dos clientes. O Bradesco buscou um modelo para orientar a transformação digital pela experiência do cliente. Neste sentido, adotou princípios do lean, design thinking e métodos ágeis para prover jornadas fantásticas e alinhadas aos momentos de vida dos clientes, ser eficiente no uso dos recursos e conhecimentos internos, além de entregar valor em ritmo constante e promovendo aprendizado e melhoria contínua.

Bradesco e o ecossistema de startups
Nossa atuação junto ao ecossistema de startups vem evoluindo continuamente ao longo dos anos, nos permitindo identificar parceiros de alto potencial que complementem a oferta de soluções do Banco. Adicionalmente, o convívio com os empreendedores contribuiu muito para a mudança de mindset e ampliação da cultura de inovação dos funcionários. As startups, tipicamente, trazem soluções bastante aderentes e aplicáveis às necessidades das áreas de negócios e trazem a tecnologia embarcada com a visão do benefício ao cliente. Inteligência artificial têm se mostrado a tecnologia mais madura, com amplitude para aplicação prática em diversos modelos de negócios, como o relacionamento e interação com clientes, recomendações personalizadas, eficiência em processos internos, recuperação de crédito, entre outros. A tecnologia de IOT tem demonstrado grande potencial na indústria de seguros, com aplicações em saúde, aliados a wearables por exemplo, seguro auto e até mesmo no agronegócio, por meio de sensores de monitoramento combinados com plataformas de análise de dados. Blockchain se tornará bastante relevante num futuro próximo, com a perspectiva de um mundo financeiro completamente digital, podendo viabilizar o surgimento de novos produtos como as moedas digitais soberanas. A tecnologia de APIs existe há muito tempo, mas sua utilização será potencializada a partir de agora com a regulação do open banking. No Bradesco, já realizamos mais de 60 provas de conceito com startups de diversos setores. Nosso desafio contínuo é identificar as startups mais relevantes no mercado para cada tema e viabilizar a integração bem sucedida e rápida com nossos sistemas.

Digitalizar o setor de finanças é transformar todo e qualquer tipo de informação em formatos digitais, para que essas informações possam ser colhidas, organizadas e analisadas

Próximos passos
O inovabra habitat nasceu com o propósito de ajudar a viabilizar a estratégia de inovação aberta das empresas, dando acesso a startups de alto potencial dentro dos eixos de tecnologia que podem acelerar a transformação digital. Além disso, impacta a cultura de inovação dos funcionários, por meio de eventos e conteúdos organizados com curadoria de temas relevantes para este fim. Desde seu lançamento, em 2018, foram fechados aproximadamente 340 contratos entre os habitantes do inovabra habitat, que hoje reúnem mais de 160 startups e 75 grandes corporações, todas com escritórios em São Paulo. Para expandir a atuação pelo Brasil, no ano passado, firmou parcerias com dois grandes centros de inovação de fora de São Paulo: o Porto Digital, em Recife, e a Acate, em Florianópolis, Em meio à crise e ao isolamento social, aumentou em 25% suas atividades e eventos de conteúdo – todos no formato virtual – e, de março a setembro, o espaço viabilizou o fechamento de mais de 40 negócios entre seus participantes. Com esses resultados, o inovabra habitat anunciou, recentemente, sua ampliação para o modelo digital, possibilitando que startups e empresas de qualquer lugar do Brasil possam ser membros e participar das atividades de coinovação do ecossistema. A partir dessa expansão, estima-se que passem a fazer parte do inovabra habitat mais 200 startups brasileiras com alto nível de maturidade, além de 150 novas grandes empresas clientes do Bradesco.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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