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Por que o B2C se destaca entre os unicórnios?

De acordo com Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups, o negócio voltado para o consumidor, abundante por conta da capacidade de atingir uma maior massa crítica, deve abrir espaço para o B2B

Victória Navarro
31 de março de 2021 - 6h00

Os unicórnios orientados para o consumidor têm sido mais abundantes no mercado, seja pela capacidade de atingirem uma maior massa crítica, seja pelo valor que possuem entre os investidores. No entanto, Bruno Rondani, CEO da plataforma de inovação 100 Open Startups, destaca que, entre as startups que atingiram a marca de US$ 1 bilhão em avaliação de mercado, o business to business está emergindo. “Isso por conta de uma ocupação de espaço mesmo. Foram criadas muitas startups. E, essa transformação tecnológica e os modelos de negócio de plataforma começam a descer na cadeia para os modelos B2B”, afirma. Para o ProXXIma, o profissional explica a importância do uso disruptivo da tecnologia.

 

Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups (crédito: divulgação)

O destaque do B2C entre os unicórnios
A lógica  do valuation, que é o que define o fato de ser unicórnio, exige mercados grandes, exige você estar no topo da cadeia. E, é por isso que a maior parte dos modelos de negócio que tem maiores valuations estão vinculados ao atendimento final, que é o atendimento ao usuário. Os fundos de venture capital têm preferido ou preferem criar grandes marcas, com maior valoração de mercado. Para isso, elas precisam atingir as massas e é o que a tecnologia vem permitindo, justamente, em um modelo de plataforma. O venture capital vem financiando a criação de plataformas na sua maior parte B2C. É mais caro, precisa de mais recursos. E, por isso, valem mais. Agora, existe uma tendência grande de fundos de venture capital tradicionalmente vinculados ao B2C, que são aqueles que aderem com mais facilidade os usuários e criam uma massa crítica mais rápido, se tornarem uma cadeia B2B. Então, hoje, há, cada vez mais, unicórnios B2B emergindo por uma questão de ocupação de espaço mesmo. Foram criadas muitas startups. E, se você for ver, esses unicórnios são na sua maior parte B2C e são na sua maior parte plataformas de negócio.

Os fundos de venture capital têm preferido ou preferem criar grandes marcas, com maior valoração de mercado. Para isso, elas precisam atingir as massas e é o que a tecnologia vem permitindo

A inovação disruptiva e os unicórnios
Se a gente entender inovação disruptiva como uma inovação em um modelo de negócio, os unicórnios, na sua maior parte, têm adotado um modelo de negócio baseado em plataformas, que tem transformado as diferentes indústrias, setores e mercados. Nele, você tem grupos de compradores, vendedores, usuários, empresas ou pessoas, que vão criar valor pela interação entre si ou transacionar valor pela interação entre esses grupos e a tecnologia e a otimização do uso das tecnologias. Isso cria uma experiência totalmente renovada de como você está acostumado a fazer alguma coisa ou a transacionar na economia como um todo. É o que há de disruptivo nesses modelos, em especial falando dos unicórnios. Mas, importante distinguir que a gente não necessariamente está falando de uma inovação tecnológica disruptiva, mas muito mais do uso disruptivo de uma tecnologia.

A vantagem de romper barreiras
Ser o primeiro em algum segmento não é tão importante assim. Inovação tem muitas etapas, então, o primeiro, em geral, é aquele que conseguiu desenvolver antes que os outros, mas não necessariamente é o que desenvolve melhor. A inovação não depende mais de uma patente para um produto. A inovação, em geral, é uma recombinação de uma série de fatores, de uma série de aspectos organizacionais, modelos de negócios, de processos, de interação com o cliente, com o usuário, com o ecossistema. Porém, eu diria que quem constrói os principais ecossistemas e plataformas e, assim, ganha tração e atinge uma massa crítica muito grande, tem uma vantagem de ser o primeiro a conseguir aquele ato no mercado. Por exemplo, o Uber não foi o primeiro, não foi inovador na ideia, mas foi o primeiro a criar talvez o nível de tração que atingiu e que o permite liderar o setor. Porém, tem concorrentes. No próprio Brasil, a gente tem o 99. A gente entende inovação muito mais como um movimento. As startups estão indo em uma direção e algumas lideram por criar um ecossistema de negócio melhor.

Quem desenvolve tecnologia não necessariamente é quem melhor aplica tecnologia. E, hoje, o maior valor está para quem aplica melhor

As mudanças de paradigma tecnológico
A capacidade de aplicar tecnologia e a capacidade de desenvolver tecnologia podem estar correlacionadas, mas não necessariamente. Quem desenvolve tecnologia não necessariamente é quem melhor aplica tecnologia. E, hoje, o maior valor está para quem aplica melhor. A tecnologia passa a ser um ativo mais acessível, disponível e transacionável. Construir um negócio em cima daquela tecnologia ou aplicando aquela tecnologia envolve outros aspectos da inovação, que hoje são mais relevantes, como criar um ecossistema que vai utilizar ou aplicar aquela tecnologia. O iPhone, por exemplo, tem tecnologia de dezenas ou centenas de outras empresas. A Apple licencia uma série de inovações desenvolvidas por outras empresas, startups, universidades e centros de pesquisa. Porém, ela reorganiza e recombina isso, dentro de um produto. Há também a contribuição tecnológica da Apple, mas o que faz o que é o entorno do ecossistema que ela criou. São os developers que estão desenvolvendo soluções ali, é a quantidade de usuários que eles conseguem atrair pela sua estratégia de marketing e como que o fato de ter mais developers atrai mais usuários e reforça a posição de plataforma da empresa.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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