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Unicórnios colocam inovações disruptivas em perspectiva

Entendimento de mercado e de desejos dos consumidores, bem como reinvestimento de grandes empreendedores em novos negócios, movimenta setor

Victória Navarro
22 de setembro de 2021 - 6h00

À frente de produtos e de serviços disruptivos, as startups são capazes de criar novos hábitos de consumo e maneiras de o mercado interagir entre si. Essas empresas, que nascem diante da necessidade de suprir problemas — não resolvidos ou atendidos por meio de uma má solução — via performance de qualidade, custo-benefício e boa entrega para o usuário, estão conquistando, cada vez mais, espaço em diversas indústrias. Em 2020, algumas verticais ganharam destaque, por conta da pandemia da Covid-19 e do consequente isolamento social. Novos unicórnios brasileiros, startups com modelos de negócios repetíveis e escaláveis e com avaliação de mercado em US$ 1 bilhão, surgiram. Entre elas, estão: a empresa de e-commerce Vtex, o site de venda de artigos para o lar MadeiraMadeira, a empresa de biometria Unico e a companhia especializada no desenvolvimento de ferramentas mobile Movile.

 

Segundo o estudo “Corrida dos unicórnios report 2021”, do Distrito, entre os unicórnios, No Brasil, 50% seguem o modelo B2C; 41,7%, B2B e B2C; e 8,3, B2B (crédito: Rodnae Productions/Pexels)

Jaqueline Bartzen, senior marketing manager da fintech Ebanx, afirma que o mercado global de investimentos está muito aquecido. “Há muita liquidez de venture capital, em todo o mundo, em função da forte aceleração do mercado global de tecnologia. Em 2020, os Estados Unidos tiveram um recorde histórico de investimento em startups e a Europa, apesar de ter sido atingida por uma forte recessão, ainda assim teve o seu segundo melhor ano da história, em termos de venture capital”, explica. No Brasil, diz, as empresas precisam estar no ponto certo, com a maturidade suficiente para serem aceleradas e escaladas via investimento. “Quando a pandemia veio e o cenário de digitalização tornou propício o investimento em startups de tecnologia brasileiras, havia também uma liquidez muito grande no mercado internacional de venture capital. E, o País tinha e tem ainda algumas startups prontas para receber esses aportes e dar o próximo grande passo”, adiciona.

Porém, Raphael Augusto, diretor de inteligência de mercado da plataforma de inovação aberta Liga Ventures, ressalta: a média fica entre cinco e sete anos para que uma startup de destaque, com alto crescimento, consiga atingir US$ 1 bilhão em valor de mercado. “O que acontece é que 2020 foi um momento em que começamos a de fato colher uma safra do que já vinha sendo construído pelos empreendedores, no Brasil. Em determinado nível, você mostra o seu valor e a sua aderência ao mercado. Assim, os fundos de investimento, que geralmente são os responsáveis por ajudar as startups a se tornarem startups unicórnios, se sentem muito mais seguros para fazer esse tipo de aporte. É um é um efeito contínuo, é um resultado de um amadurecimento”, afirma.

Segundo o estudo “Corrida dos unicórnios report 2021”, do Distrito, a Creditas, entre as empresas que já são unicórnios, fez com que o setor financeiro tomasse a liderança no número de startups que já atingiram US$ 1 bilhão em avaliação de mercado. Isso denota a liderança das fintechs brasileiras entre os unicórnios. Porém, as retailtechs ainda possuem destaque. O valor total levantado pelos unicórnios brasileiros é de US$ 4,8 bilhões. Apenas o Nubank é responsável por um terço desse total. No que diz respeito à localização dos unicórnios, a cidade de São Paulo é um polo agregador. Isso, de acordo com a pesquisa do Distrito, deve-se pela centralidade econômica a nível nacional e global da megalópole, o que gera mercados abundantes, mão de obra qualificada e fácil acesso a investidores.

Nem toda startup precisa de uma injeção expressiva de capital para chegar ao status de unicórnio. Algumas empresas, por exemplo, diz a senior marketing manager da Ebanx, tendem a precisar mais de capital para atrair usuários: “Injeções expressivas de capital podem ser uma necessidade de algumas empresas, mas não de todas. Se uma startup, por exemplo, resolve um problema real do consumidor de forma assertiva, entregando valor e criando um impacto positivo na vida das pessoas, muito provavelmente ela chegará ao ponto de breakeven”. O capital ajuda a levar o produto ou o serviço ao tamanho que possuem potencial.

Consumidor no centro
No Brasil, 50% seguem o modelo business to consumer (B2C), 41,7%, business to business (B2B) e B2C, e 8,3, B2B, afirma o levantamento “Corrida dos unicórnios report 2021”. Para Raphael, o destaque de produtos e de serviços voltados aos consumidores é um movimento natural de amadurecimento de mercado. “Quando você analisa a forma como determinado mercado interage com o seu consumidor, é possível identificar diversas dores, ou seja, oportunidades. Os unicórnios que conseguem mudar e responder a essas dores dos clientes de uma forma atrativa e inovativa acabam chamando muita atenção”, explica o diretor de inteligência de mercado da Liga Ventures.

Inovação disruptiva
A tecnologia é uma ferramenta importante para a inovação e o surgimento de novos unicórnios. Porém, não necessariamente é a base para o sucesso de uma startup. O que dita o caminho da inovação é, na verdade, os grandes problemas não resolvidos, em especial nos mercados em desenvolvimento. “ A inovação não tem a ver necessariamente com tecnologia, mas com a solução entregue. As empresas não precisam reinventar a roda. Precisam resolver um problema de um jeito diferente, inovador, fácil. Criar novas soluções para velhos problemas. O foco tem que estar sempre no cliente, seja ele o consumidor final, seja ele uma empresa”, afirma Jaqueline. 

Raphael destaca que as empresas necessitam atingir um entendimento de mercado e usar esse conhecimento não como âncora, mas como uma possibilidade controlada de crescimento de tecnologias e de aplicações que façam sentido. “Sem dúvida, haverá, cada vez mais, unicórnios, no Brasil. Primeiro, em função do próprio cenário de inovação do País: o Brasil tem grandes problemas a serem resolvidos, tanto para o consumidor final quanto para empresas, e já há startups bastante consolidadas trabalhando para isso”, diz. Além disso, as primeiras grandes safras de empreendedores e de negócios de sucesso do País estão começando, agora, a reinvestir todo capital financeiro e intelectual, para que outros negócios também sejam construídos e cresçam no mesmo patamar.

*Crédito da imagem no topo: Trendobjects/iStock

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