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2030: as teles nas indústrias inteligentes

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2030: as teles nas indústrias inteligentes

Negócios B2B, com foco em nuvem e internet das coisas, serão os mais promissores para as empresas de telecomunicações

Victória Navarro
6 de dezembro de 2021 - 6h00

A União Europeia trabalha para que 75% de suas empresas estejam à frente de serviços de cloud, big data e inteligência artificial. Para isso, o bloco econômico anunciou investimentos em energia e infraestrutura digitais. A China, por sua vez, prevê uma maior priorização no desenvolvimento de indústrias inteligentes, como manufatura, saúde e educação. E, os Estados Unidos recomenda aumentar investimentos em dados, softwares, computação e recursos de rede. Nesse cenário, cada vez mais em direção à conectividade, as empresas de telecomunicações apresentam potencial de liderança. Os negócios business to business, com foco em nuvem e internet das coisas, nas áreas de finanças, saúde, energia e agricultura, serão as mais promissoras para as teles.

Esses acontecimentos estão previstos para até 2030, quando a população de fato vivenciará a inteligência consolidada. As informações integram um estudo da empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações Huawei, o “GIV 2030”, que traz à tona dados quantitativos e qualitativos sobre dispositivos inteligentes, conexões e tráfego de comunicações.

 

Michelangelo Buonarroti/Pexels

Teles à frente da conexão
Segundo Fabiano Destri Lobo, managing director da MMA (Mobile Marketing Association) para a América Latina, em um mundo que prioriza conexão, agilidade e eficiência, os consumidores estão no poder. “Não é mais uma questão de escolha ou last clique. O usuário conectado dita a regra de toda a jornada. E, entender cada ponto de contato tornou-se essencial. Por conta disso, empresas de telecom estão posicionadas de forma estratégica na relação entre consumidores e empresas, o famoso B2B2C (business to business to consumer)”, explica.

A quinta geração móvel (5G) é uma tecnologia habilitadora, ou seja, permite que uma série de inovações aconteçam, ao aumentar a velocidade da conexão de dados e diminuir o tempo de latência para se transferir um pacote de dados. “Com isso, boa parte do processamento que ocorre nos celulares e computadores será transferido para a nuvem, aumentando a inteligência desses dispositivos e fazendo com que outros, como geladeiras, máquinas industriais e equipamentos agrícolas, ganhem capacidade de processamento, iniciando para valer a internet das coisas”, diz Claudio Oliveira, coordenador do Núcleo de Transformação Digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e CEO da Cognitive, empresa de media science.

Neste contexto, as teles possuem um papel estratégico, já que proporcionam a infraestrutura do 5G e fornecem todo o pacote de serviços que viabiliza a utilização da internet das coisas para as empresas, tornando possível a transformação digital de diversos setores. “A tendência é que a implantação dos serviços de conexão seja mais rápida e barata, pois, em vez da implantação de cabos de fibras ópticas, as empresas poderão usufruir da rede 5G, democratizando o serviço para pequenos e médios negócios”, afirma Claudio. Liderar essa relação de forma inteligente é a maior oportunidade para a indústria de telecomunicações, não só pela aplicação de cloud, data e inteligência artificial, mas também pela questão relacionada a quão ubíquas as tecnologias se tornaram no futuro, adiciona.

Carros inteligentes
De acordo com o levantamento da Huawei, em 2030, o número de veículos elétricos, vans, caminhões e ônibus deve chegar a 145 milhões. Hoje, entretanto, todos esses meios de transporte colidem com a capacidade limitada das redes rodoviárias. E, o uso de inteligência e de tecnologia em câmeras, radares e sensores meteorológicos serão a chave para resolver esse problema. Os dados serão lidos para identificar veículos, acidentes de trânsito, condições das estradas e representar em nível multidimensional trechos de estrada. Computação baseada em políticas da nuvem pode ajudar a gerar comandos diferentes para gerenciar veículos e sinais de trânsito. Para os carros inteligentes, as empresas de telecomunicações assumem o papel de prover eficiência na conectividade, para as aplicações rodarem de forma, cada vez mais, precisa, explica Fabiano, da MMA.

Smart cities
As áreas urbanas, que representam 2% das terras ao redor do mundo e que abrigam mais de 50% da população mundial, consomem dois terços de energia e são responsáveis ​​por 70% das emissões de gases de efeito estufa — incluindo mais de 25 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Inteligência de governança será o caminho para as cidades que desejam alcançar um desenvolvimento sustentável. Claudio aponta que, com a quinta geração de telefonia móvel, por exemplo, sistemas elétricos mais inteligentes poderiam economizar luz e o transporte público poderia ter uma gestão de rotas e horários mais dinâmica, minimizando lotação nos ônibus e trens. “Porém, é importante lembrar que para que isso funcione, são necessárias políticas públicas. Entendo que os governos não foram capazes de conseguir fomentar o uso mais eficaz das tecnologias já existentes, escolas da periferia ainda possuem problemas de conexão e de uso de tecnologias básicas como aplicativos de videoconferência”, diz o coordenador do Núcleo de Transformação Digital da ESPM e CEO da Cognitive.

Inteligência artificial no health
No setor de saúde, a inteligência artificial já permite identificar, por exemplo, pequenos nódulos pulmonares e, assim, economizar o tempo dos médicos. A tecnologia terá um papel ainda maior em consultas mais complexas, uma vez que, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, em 2030, haverá uma escassez de 18 milhões de profissionais da saúde. A inteligência artificial mostrará o raciocínio por trás de suas conclusões, para que se entenda o pensamento e o processo.

Claudio aponta que, no mercado, há startups que buscam tornar o setor de saúde mais digital, via tecnologias disruptivas. “Essas empresas conseguiram captar mais de R$ 1 bilhão em investimento. Esse movimento deve acontecer de maneira intensa, nos próximos anos. Deve haver uma maior virtualização dos serviços de saúde. Hoje, mais de um quarto das consultas são virtuais, tendência impulsionada pela necessidade de distanciamento devido à Covid-19”, diz. E, no setor health, as empresas de telecomunicações possuem um papel fundamental no que diz respeito à conectividade e à inteligência de dados.

Metaverso
A convergência do digital e do físico requer a capacidade de entender o comportamento e as intenções do usuário. A demanda por uma experiência real significa que a computação será, cada vez mais, de borda. O mundo físico será modelado e espelhado na nuvem e, assim, recriado digitalmente. Dispositivos edge serão capazes de ouvir, ver, tocar, cheirar e saborear a interação, em tempo real, entre pessoas e dispositivos.

Segundo Claudio, todas as vezes em que a vida digital é mais importante que a física, a pessoa está no metaverso. “O Brasil é um dos países com maior número de pessoas conectadas a redes sociais, nossas empresas conseguiram virtualizar suas rotinas durante a pandemia, os serviços digitais como internet banking e e-commerce são amplamente utilizados e temos uma cultura gamer bastante arraigada entre nossos jovens. Essas experiências devem se radicalizar com a realidade virtual, mas já vem ocorrendo no País. Como temos uma grande população conectada e afeita a inovações, os chamados early adopters, devemos ter relevância em qualquer plataforma de metaverso global”, explica.

O managing director da MMA para a América Latina aponta que há três tipos de metaverso. Primeiro, é aquele que está no imaginário. O segundo é o que está no imaginário das empresas. E, o terceiro é o real, aquele que vai se tornar parte do dia a dia. “Porém, tempo, investimento e um bom choque de realidade me levam a crer que ainda devemos nos preocupar muito mais em entender aplicações, dores e a evolução das tecnologias que impactam no nosso dia a dia”, diz.

*Crédito da foto do topo: Piranka/iStock

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