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Futebol aposta na tecnologia para se viabilizar como produto

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Futebol aposta na tecnologia para se viabilizar como produto

Uso de IA e criação de hub de inovação, como o do São Paulo FC, são exemplos de iniciativas tecnológicas do esporte

Valeria Contado
19 de julho de 2022 - 11h04

Tecnologia auxilia na redução de erros e aprimora futebol como um produto (Crédito: Reprodução)

 

“A Mão de Deus”, episódio em que Maradona, o camisa 10 da seleção Argentina, marcou um dos gols considerados mais bonitos da história do futebol mundial, na vitória azul celeste sobre a seleção da Inglaterra, por 2 x 1, completa 36 anos. Acontece que o lance se tornou emblemático, pois o jogador usou a mão na hora de marcar e, mesmo assim, o gol foi validado pela arbitragem. A despeito da longevidade, ainda é um case estudado e debatido por especialistas da modalidade que defendem a evolução do esporte. Nos últimos anos, a tecnologia foi inserida no ambiente esportivo, tanto para auxiliar no desenvolvimento dos atletas – como no caso da associação da Confederação Brasileira de Rugby,  em acordo com a Pro Soccer, que desenvolveu um aplicativo com base em dados para aprimorar a performance dos atletas -, quanto para aspectos voltados para a justiça no campo. Ambas as aplicações convergem para o aprimoramento do futebol como produto.

Por isso, recentemente, a Fifa anunciou que a Copa do Mundo deste ano contará com inteligência artificial (IA) para rastrear os corpos dos jogadores e traçar, com mais precisão, a linha de impedimento. O sistema trará aos árbitros mais dados, a fim de fazer com que as decisões sejam mais precisas, já que lances muito ajustados podem gerar dúvidas nos árbitros.

O professor de marketing esportivo da ESPM, Ivan Martinho, explica que um dos pontos positivos da entrada da tecnologia nos esportes é no âmbito da justiça. “Quando você traz tecnologia para o mundo do esporte que garanta que aquilo seja de fato interpretado de forma correta, inibe algo que seja uma grande injustiça”, diz.

Por outro lado, o futebol ainda é operado e regido pelo fator humano, que precisa ser aprimorado e treinado de acordo com as necessidades em campo. “Não requer somente readaptação de todo time técnico, mas mudança de todos os jogadores”, completa Martinho.

Além disso, esse tipo de conexão pode ampliar horizontes para empresas que trabalham com tecnologia e podem criar business no ambiente esportivo. Atualmente, uma gama de serviços de pedidos está se fortalecendo nos estádios, como é o caso do Pede Pronto, que está estreando serviço de concierge no Allianz Parque, que leva o pedido diretamente aonde o torcedor está. Esse tipo de iniciativa exige infraestrutura relevante para a implementação e a percepção de que deve atender os clientes, como comenta o fundador da Sport by Fort Consulting, Ricardo Fort. “Empresas têm que ter a mentalidade de como servir os consumidores, essa é a principal mudança, pensar se os produtos realmente têm algum papel e se trarão uma experiência melhor”, explica. Exemplo disso, o São Paulo Futebol Clube anunciou a criação do hub de inovação, o Inova.São. O objetivo é trazer soluções no mercado esportivo que auxiliem o clube a aumentar tanto sua competitividade esportiva quanto suas fontes de receita.

Fora do Brasil, empresas de tecnologia já se tornaram parte do cenário esportivo, criando cases como forma de vincular seu trabalho ao ambiente esportivo. Bancos de dados se tornam ferramentas para o desenvolvimento de atletas, câmeras aumentam a qualidade da exibição dos jogos que se tornam grandes espetáculos. Enquanto isso, as empresas usam o meio como vitrines para seus investimentos. “Seja na experiência, seja no VAR, todas essas são soluções são próximas, mas usam o esporte como grande vitrine. Existe uma oportunidade de crescimento”, afirma Martinho, da ESPM.

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